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Aluísio Azevedo
Uma Lágrima de Mulher (1880)


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Aluísio Azevedo


 

Trecho da Obra

Rosalina era encantadora. Como em quase todas as meninas italianas, adivinhavam-se-lhe os elementos de uma mulher bela. Difícil seria vê-la alguém, sem prender o coração naquela graciosa liberdade de movimentos; ouvi-la, sem guardar na memória, como uma relíquia sagrada, o seu falsete de criança. Há quinze anos, adormecia e levantava-se antes da alva, sempre rindo e cantando; nunca uma tristeza real lhe havia nublado a transparência azul de sua alegria, parado em meio uma das suas sadias gargalhadas. Amor, que não o da Madona ou da família, jamais lhe entrara no coração; e contudo, nos últimos meses dos seus quinze anos, caía, às vezes, num cismar de tristeza indefinível, quando, de sobre a penedia, contemplava sozinha a extensão melancólica do mar; sentia em tais momentos como vagas inquietações, que se lhe debatiam por dentro e procurava, tolinha! com insistência pueril, arrancar do oceano o segredo de tudo aquilo; parecia-lhe que o ar misterioso das águas vedava ao seu entendimento o verdadeiro motivo dos seus anelos.


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