José de Alencar
Cinco Minutos (1856)
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José de Alencar
Trecho da Obra
- Partiu há cinco minutos. Resignei-me e esperei pelo ônibus de sete horas. Anoiteceu. Fazia uma noite de inverno fresca e úmida; o céu estava calmo, mas sem estrelas. A hora marcada chegou o ônibus e apressei-me a ir tomar o meu lugar. Procurei, como costumo, o fundo do carro, a fim de ficar livre das conversas monótonas dos recebedores, que de ordinário têm sempre uma anedota insípida a contar ou uma queixa a fazer sobre o mau estado dos caminhos. O canto já estava ocupado por um monte de sedas, que deixou escapar-se um ligeiro farfalhar, conchegando-se para dar-me lugar. Sentei-me; prefiro sempre o contato da seda à vizinhan- ça da casimira ou do pano. O meu primeiro cuidado foi ver se conseguia descobrir o rosto e as formas que se escondiam nessas nuvens de seda. e de rendas. Era impossível. Além de a noite estar escura, um maldito véu que caía
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