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Adolfo Caminha
A Normalista (1893)


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Adolfo Caminha


 

Trecho da Obra

Cinqüen...ta e seis!... Havia um silêncio morno e concentrado em que destacava o rolar abafado das pedras no saquinho da baeta verde. A sala era estreita, sem teto, chão de tijolo, com duas portas para o interior da casa, paredes escorridas pedindo uma caiação geral. À direita, defronte da janela, dormia um velho piano de aspecto pobre, encimado por um espelho não menos gasto. O resto da mobília compunha- se de algumas cadeiras, um sofá entre as duas portas do fundo, a mesa do centro, e uma espécie de console, colocada à esquerda, onde pousavam dois jarros com flores artificiais. De onde em onde zunia o falsete do amanuense: - Quadra! Ou caçoava: - Os anos de Cristo!... Os óculos do Padre Eterno! Risadinhas explodiam a espaços, gostosas, indiscretas - uma pilhéria ricocheteava nos quatro ângulos da mesa. - É boa! É boa! fazia João da Mata erguendo a cabeça, mostrando a dentuça. Depois voltava o silêncio, e a voz fina de mulher


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