Página InicialEmail para Contato



Obras do Autor
Romances
Amar, verbo intransitivo (1927)
Macunaíma (1928)
Contos
Primeiro Andar (1926)
Belasarte (1934)
Contos Novos (1947)
Poesias
Há uma Gota de Sangue em Cada Poema (1917)
Paulicéia Desvairada (1922)
Losango Cáqui (1926)
A Clã do Jabuti (1927)
Remate de Males (1930)
Lira Paulistana (1946)
Poesias (1941)
Crônicas
Os Filhos da Candinha (1943)
Outros
A escrava que não é Isaura (1925)
Ensaios sobra a música brasileira (1928)
Compêndio da História da Música (1929)
Modinhas Imperiais (1930)
Música, Doce Música (1933)
O Aleijadinho de Álvares de Azevedo (1935)
Lasar Segall (1935)
Música do Brasil (1941)
O Movimento Modernista (1942)
O Baile das Quatro Artes (1943)
Aspectos da Literatura Brasileira (1943)
O Empalhador de Passarinhos (1944)

Dados do Autor
Nasceu no dia 9 de outubro de 1893, na Rua Aurora, 320, em São Paulo - SP

Morreu em São Paulo SP em 25 de fevereiro de 1945.

Mário de Andrade
Mário de Andrade mostrou desde cedo inclinação pela música e literatura. Seu interesse pelas artes levou-o a realizar em São Paulo, em parceria com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, que rasgou novas perspectivas para a cultura brasileira. Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. Macunaíma, baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima. Além de escritor, foi musicólogo, folclorista e conferencista.

Músico e Poeta

Representante fundamental do modernismo, Mário Raul de Morais Andrade forma-se em música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Sob o pseudônimo de Mário Sobral, estréia na poesia com a obra pré-modernista Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, em 1917.

Mário, um Homem Eclético

Além de poeta, é ficcionista, ensaísta, contista, folclorista, professor, crítico literário e de artes. Corresponde-se com , vários escritores e pintores como Manuel Bandeira e Anita Malfatti.
A Semana de 22

Organiza com Oswald de Andrade a Semana de Arte Moderna de 1922. No mesmo ano publica Paulicéia Desvairada, cujo "prefácio interessantismo" lança as base estéticas do modernismo.
Revistas e Novos Livros

Colabora nas revistas Klaxon, Estética, Terra Roxa e Outras Terras. Em 1925, seu livro de ensaios A Escrava que não é Isaura o afirma como um dos grandes teóricos do movimento.

 
   
Macunaíma

Em 1928, em Macunaíma, misto de romance, epopéia, mitologia, folclore e história, traça um perfil do brasileiro, com seus defeitos e virtudes, criando a saga do herói sem caráter. A obra é levada ao cinema em 1969, por Joaquim Pedro de Andrade, e ao teatro em 1978, por Antunes Filho.

Reconhecimento e Morte

Coberto de reconhecimento pelo papel de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade morreu em São Paulo - SP em 25 de fevereiro de 1945, vitimado por um enfarte do miocárdio, em sua casa. Foi enterrado no Cemitério da Consolação. No mesmo ano é publicado Lira Paulistana e Poesias completas.
Um Mar de Cartas

Um capítulo à parte em sua produção literária sem fronteiras é constituído pela correspondência do autor, volumosa e cheia de interesse, ininterruptamente mantida com colegas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando Sabino, Augusto Meyer e outros. Suas cartas conservaram, de regra, a mesma prosa saborosa de suas criações com palavras ? um lirismo que, como ele disse, "nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada".



Modernismo


Trechos da Obra

 

Será o Benedito!

A primeira vez que me encontrei com Benedito, foi no dia mesmo da minha chegada na Fazenda Larga, que tirava o nome das suas enormes pastagens. O negrinho era quase só pernas, nos seus treze anos de carreiras livres pelo campo, e enquanto eu conversava com os campeiros, ficara ali, de lado, imóvel, me olhando com admiração. Achando graça nele, de repente o encarei fixamente, voltando-me para o lado em que ele se guardava do excesso de minha presença. Isso, Benedito estremeceu, ainda quis me olhar, mas não pôde agüentar a comoção. Mistura de malícia e de entusiasmo no olhar, ainda levou a mão à boca, na esperança talvez de esconder as palavras que lhe escapavam sem querer:
? O hôme da cidade, chi!...
Deu uma risada quase histérica, estalada insopitavelmente dos seus sonhos insatisfeitos, desatou a correr pelo caminho, macaco-aranha, num mexe-mexe aflito de pernas, seis, oito pernas, nem sei quantas, até desaparecer por detrás das mangueiras grossas do pomar.
***
Nos primeiros dias Benedito fugiu de mim. Só lá pelas horas da tarde, quando eu me deixava ficar na varanda da casa-grande, gozando essa tristeza sem motivo das nossas tardes paulistas, o negrinho trepava na cerca do mangueirão que defrontava o terraço, uns trinta passos além, e ficava, só pernas, me olhando sempre, decorando os meus gestos, às vezes sorrindo para mim. Uma feita, em que eu me esforçava por prender a rédea do meu cavalo numa das argolas do mangueirão com o laço tradicional, o negrinho saiu não sei de onde, me olhou nas minhas ignorâncias de praceano, e não se conteve:
? Mas será o Benedito! Não é assim, moço!
Pegou na rédea e deu o laço com uma presteza serelepe. Depois me olhou irônico e superior. Pedi para ele me ensinar o laço, fabriquei um desajeitamento muito grande, e assim principiou uma camaradagem que durou meu mês de férias.

 


Página Inicial | Quem Somos
Copyright© 2005-2008 - MP-ATTUS INFORMÁTICA LTDA. Configurada para 800 x 600 ou 1024 x 768 - 16 bit color