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Obras do Autor
Romances
Cenas de Viagens (1868)
A Retirada de Laguna (1871)
A Mocidade de Trajano (1872)
Inocência (1872)
Lágrimas do Coração (1873)
Histórias Brasileiras (1874)
Da Mão a Boca se Perde a Sopa (1874)
Ouro Sobre Azul (1878)
O Encilhamento (1890-92)
No Declínio (1889)
Reminiscências (1907) - postumo
Memórias (1948) - postumo
Teatro
Cenas e Tipos (1878)
Estudos Críticos (1881-83)
Céus e Terras do Brasil (1882)
Quadros da Natureza (1882)
Fantasias (1882)
Amélia Smith (1886)

Dados do Autor
Nasceu em 22 de fevereiro de 1843, no Rio de Janeiro

Morreu em 1889, no Rio de Janeiro

Visconde de Taunay
Alfredo d' Escragnolle Taunay, nasceu de uma culta e refinada família francesa, de forte tradição artística. Engenheiro, militar e depois político, teve na literatura obra variada, porém irregular. Inocência, seu mais conhecido e publicado romance, traz aspectos de simplicidade e bom gosto, fato que o fizeram muito popular desde seu lançamento, em 1872.

Amor às Artes desde Pequeno e Boa Educação

Taunay manifestou amor às artes desde cedo, na literatura, desenho e música. Teve muito boa educaçâo e, em 1858, então com quinze anos, forma-se pelo Colégio Pedro II, tradicional instituição de ensino do Rio de Janeiro, mantida pelo imperador.

Ingresso na Escola Militar e a Guerra do Paraguai

Em 1859, ingressa no curso de Ciências Físicas e Matemáticas da Escola Militar (atual Academia Militar das Agulhas Negras). Em seguida passa a cursar Engenharia Militar, mas com o advento da Guerra do Paraguai, interrompe o curso em 1865, por força da mobilização dos oficiais e alunos. Como ajudante da Comissão de Engenheiros, faz parte da Expedição de Mato Grosso, o que lhe proporciona uma grande experiência de vida e vasto material para algumas de suas obras.

 
   
Primeiras Experiências Literárias e Inocência, Sua Maior Obra

Durante a guerra, recebe o encargo de escrever o Diário do Exército, e em 1868, escreve seu primeiro livro: Cenas da Vida Brasileira, contendo textos não ficcionais. Terminada a guerra, em 1870, retorna ao Rio de Janeiro, quando é promovido a capitão e conclui o curso de Engenharia Militar. No mesmo ano, adota o pseudônimo de Sílvio Dinarte e lança o primeiro romance: A mocidade de Trajano, obra típica do romantismo. Em 1871, publica em Paris, em francês: A Retirada da Laguna, ficção que aborda a experiência de Mato Grosso e, em 1872, publica Inocência, sua obra mais conhecida.

Forte Prestígio e Atuação na Política, Proclamação da República e Decadência

Taunay resolve ingressar na política. Em 1872 elege-se deputado pelo Partido Conservador de Goiás. Em 1874 casa-se com a filha do poderoso barão de Vassouras e reelege-se em 1875. Em 1876 é nomeado presidente da província de Santa Catarina. Em 1880, é mais uma vez eleito deputado, mandato este que se estende até 1884. Em 1885 demiti-se do exército e assume a presidência da província do Paraná, deixando o cargo em 1886 para eleger-se senador. Nessa época Taunay desfruta de grande prestigio político e literário e conquista a amizade de D. Pedro II, mas três anos depois, com a Proclamação da República, já com o título de Visconde, é forcado a abandonar definitivamente a política, por suas posições fortemente monárquicas. No mesmo ano morre no Rio de Janeiro, deixando várias obras e escritos inéditos, que seriam publicados por sua família, em meados do século XX.



Romantismo


Trechos da Obra

 


A Retirada da Laguna

Episódio da Guerra do Paraguai

CAPÍTULO I

Formação de um corpo de exército destinado a atuar, pelo norte, sobre o alto Paraguai. Distâncias e dificuldades de organização.
Para dar uma idéia, algum tanto exata, dos lugares onde, em 1867, ocorreram os acontecimentos cuja narrativa se vai ler, convém lembrar que, ao finalizar de 1864, havendo o Paraguai atacado e invadido, simultaneamente, o Império do Brasil e a República Argentina, achava-se, decorridos dois anos, após tal investida, reduzido a defender o próprio território, invadido do lado do sul, pelas forças conjuntas das duas potências aliadas, a quem coadjuvava pequeno contingente de tropas da República do Uruguai. Ao sul oferecia o caudaloso Paraguai mais vantagens à expugnação da fortaleza de Humaitá, que, pela posição especial, se convertera na chave estratégica do país, assumindo, nesta porfia encarniçada, a importância de Sebastopol, na Campanha da Criméia.
Ao norte, do lado de Mato Grosso, eram as operações infinitamente mais difíceis, não só porque ocorriam a milhares de quilômetros do litoral atlântico, onde se concentram todos os recursos do Brasil, como ainda por causa das inundações do rio Paraguai, que cortando na parte superior do curso terras baixas e planas, transborda anualmente, a submergir então regiões extensíssimas. Consistia o plano de ataque mais natural em subir as águas do Paraguai, do lado da Argentina, até o coração da república inimiga e, do Brasil, descê-las a partir de Cuiabá, a capital mato-grossense que os paraguaios não haviam ocupado.
Teria impedido à guerra arrastar-se durante cinco anos consecutivos esta conjugação de esforços simultâneos. Mas era-lhe a realização extraordinariamente difícil, devido às enormes distâncias a transpor. Basta lançar os olhos sobre um mapa da América do Sul e examinar o interior do Brasil, em grande parte desabitado, para que qualquer observador de tal se convença logo.

 


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