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Obras do Autor
Teatro
Mateus e Mateusa (1866)
As Relações Naturais (1866)
A Separação de Dois Esposos (1866)
Hoje Sou Um, e Amanhã Outro (1866)
Eu Sou Vida: Eu Não Sou Morte (1866)
O Marido Extremoso ou o Pai Cuidadoso (1866)
Um Credor da Fazenda Nacional (1866)
Certa Entidade em Busca de Outra (1866)
Uma Pitada de Rapé (1866)
Um Assovio (1866)
Lanterna de Fogo (1866)
Um Parto (1866)
Um Hóspede Atrevido ou o Brilhante Escondido (1866
A Impossibilidade da Santificação ou a Santificaçã
O Marinheiro Escritor (1866)
Duas Páginas em Branco (1866)
Dous Irmãos (1866)

Dados do Autor
Nasceu em 1829, em Triunfo, Província de São Pedro, Rio Grande do Sul

Morreu em 1883, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, aos 53 anos

Qorpo-Santo
José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido por seu pseudônimo Qorpo-Santo, foi um brilhante dramaturgo gaúcho que ficou esquecido por cem anos, quando descobriu-se um autor oiriginal, de perspectiva moderna e olhar crítico. Foi precursor do Teatro do Absurdo e esteve muito além de seu tempo.

Professor Primário, Delegado e Loucura

Torna-se professor primário e passa a lecionar em escolas públicas, fixando-se na capital da província. Também chega a exercer a função de delegado de polícia. Em 1862, as autoridades escolares passam a suspeitar de sua sanidade mental, e Qorpo-Santo é obrigado a internar-se. Em 1868 é considerado inapto para continuar lecionando e também para a administração de seus bens e família.

 
   
Inconformismo, Protestos, Jornal, Enciclopédia e Grandes Comédias

Em jornal que ele mesmo funda, A Justiça, protesta veementemente contra a decisão da justiça, que o torna inapto. No mesmo período cria a Enciclopédia ou Seis Meses de Uma Enfermnidade, composta por nove tomos, dos quais só se conhecem seis atualmente. É considerado um trabalho revolucionário e desnorteante na época. No IV volume, publica todas as suas comédias que hoje conhecemos. A Edição, impressa em tipografia própria, foi lançada em 1877. Qorpo-Santo rompeu com os padrões da época e, no provinciano final do século XIX, esteve mais próximo de nossos tempos, do que no qual viveu.



Realismo e Naturalismo


Trechos da Obra

 


Um Credor da Fazenda Nacional

PERSONAGENS:
Credor
Porteiro
Um Major
Um Contínuo
Empregados da repartição
Outros credor
Leopoldino ,Contador
Chefe de secção
Sr. Barbosa

ATO PRIMEIRO

UM CREDOR - (entrando em uma repartição pública; para o Porteiro) - Está o Sr. Inspetor?
PORTEIRO - Está; mas não se lhe pode agora falar.
CREDOR - Por quê?
PORTEIRO - Está muito ocupado!
CREDOR - Em quê?
PORTEIRO - Tem gente aí com ele.
CREDOR - Quem é?
PORTEIRO - Um Major!
CREDOR - Demorar-se-á muito?
PORTEIRO - Ignoro.
CREDOR - Pois diga-lhe que lhe quero falar!
PORTEIRO - Não posso ir lá agora.
CREDOR - Quantas horas estarei eu aqui à espera que o Sr. Major saia para que eu entre!
(Passeia).(O MAJOR, saindo e encontrando-se com o Credor.)
CREDOR (para o MAJOR) - Oh! O Sr. por aqui! Julgava-o quem sabe onde! Disseram-me que tinha ido para Rio Pardo há dias!

 


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