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Obras do Autor
Outros
Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Cont
Sermão da Sexagésima
Sermão de Santo Antônio aos Peixes
Sermão do Bom Ladrão
Sermão dos Bons Anos (1642)
Sermão I - Maria Rosa Mística
Sermão II - Maria Rosa Mística
Sermão III - Maria Rosa Mística
Sermão do Mandato
Sermão da Quinta Dominga da Quaresma
Sermão Histórico e Penegírico nos Anos da Rainha
Sermão da Glória de Maria, Mãe de Deus
Sermão da Primeira Dominga do Advento
Sermão de Santa Catarina Virgem e Mártir
Sermão da Quarta-Feira de Cinzas (1672-73)
Cartas (1925-28) - publicadas por Lúcio Azevedo

Dados do Autor
Nasceu em Lisboa, Portugal, em 1608.

Morreu em Salvador, Bahia, em 1697, aos 89 anos.

Padre Antônio Vieira
Padre Antônio Vieira, orador sacro e escritor português. Veio para o Brasil com cerca de sete anos onde tornou-se jesuíta. Retorna a Lisboa, sendo nomeado pregador da corte e encarregado por Dom João IV de importantes missões diplomáticas no exterior. Considerado a maior expressão da eloqüência sacra em Portugal e um dos mais ricos escritores do idioma.

Jesuíta e Orador Precoce

Em 1614, com sete anos, muda-se com a família para o Brasil, estuda num Colégio Jesuíta da Bahia e, aos 15 anos, foge de casa para ingressar na companhia de Jesus. Aos 18 anos, já ensina Retórica. Desde muito cedo têm-se notícias de seus triunfos como pregador e destaca-se em 1640, quando os holandeses cercam a cidade de Salvador e Vieira exorta os portugueses à luta com o Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as da Holanda.

Retorno à Portugal e Missões Diplomáticas

Com a vitória portuguesa, retorna à Lisboa, em 1641, com a missão de levar a Dom João IV, a adesão da colônia à Restauração. Conquista a admiração do rei, que o nomeia pregador da corte e o encarrega a importantes missões diplomáticas no exterior, mas provoca a ira do Santo Ofício ao recomendar a reabilitação dos cristãos-novos e por sua luta para que o comércio com as colonias fiquem fora dos confiscos inquisitoriais. Apos alguns fracassos diplomáticos, retorna ao Brasil para chefiar as missões jesuíticas, escapando dos inimigos da Inquisição.

 
   
Sermões Politicos, Retorno a Portugal e Cárcere

Como Missionário no Maranhão (1653 a 1661), vive intensa luta política, além de seu trabalho de catequese. Combate a escravidão dos índios e critica muito os colonos. Consegue do rei, em 1655, em mais uma viagem à Portugal, a Lei da Liberdade dos Índios, mas quando regressa de Portugal é expulso pelos colonos, junto a outros jesuítas, em 1661. Novamente em Portugal, fragilizado e sem a protgeção de D.Joao IV, morto em 1656, é acusado de heresia, exilado para a cidade do Porto e condenado e preso pela Inquisição em 1665. Condenado à oito anos de prisão é anistiado em 1667 quando então segue para Roma, para fugir de mais perseguições.

Sucessos na Europa, Desilusão e Regresso ao Brasil

Parte para Roma, onde conquista grande sucesso como orador sacro quando então é convidado pela rainha Cristina, da Suécia, que abdicara ao seu trono e convertera-se ao catolicismo, para ser seu confessor e pregador. O Papa Clemente X livra-o da perseguição do Santo Oficio, mas não lhe dá apoio para a criação de sua tão desejada companhia ultramarina portuguesa. Em 1681, desiludido, resolve mudar-se definitivamente para o Brasil, e passa a viver em Salvador até sua morte, em 1697.



Barroco


Trechos da Obra

 


Sermão da Quinta Dominga da Quaresma

Na Igreja Maior da Cidade de São Luís no Maranhão. Ano de 1654.

§ I

A verdade e a mentira: a verdade do pregador e a mentira dos ouvintes. As três espécies de mentiras com que os escribas e fariseus hoje contradisseram, caluniaram e quiseram afrontar e desonrar o Filho de Deus.
Temos juntamente hoje no Evangelho duas coisas que nunca podem andar juntas: a verdade e a mentira.
E por que não podem andar juntas, por isso as temos divididas; a verdade no pregador, a mentira nos ouvintes; o pregador muito verdadeiro, o auditório muito mentiroso.
Uma e outra coisa disse Cristo aos escribas e fariseus, com quem falava. O pregador muito verdadeiro: Si veritatem dico vobis; o auditório muito mentiroso: Ero similis vobis, mendax.
De três modos - que há muitos modos de mentir - mentiram hoje estes maus ouvintes. Mentiram, porque não creram a verdade; mentiram, porque impugnaram a verdade; mentiram, porque afirmaram a mentira.

 


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