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Obras do Autor
Romances
Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909)
Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)
Numa e Ninfa (1915)
Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919)
Clara dos Anjos - póstuma (1948)
Contos
História e Sonhos (1920)
Os Bruzundangas (1923)
Crônicas
Bagatelas (1923)
Feiras e Mafuás - póstuma (1953)
Marginália - póstuma (1953)
Vida Urbana - póstuma (1956)
Outros
Diário Íntimo - póstuma (1956)
Cemitério dos Vivos - póstuma (1956)
Correspondência, 2 vols. - póstuma (1956)
Um Longo Sonho do Futuro - póstuma (1993)
Impressões de Leitura - póstuma (1956)

Dados do Autor
Nasceu no Rio de Janeiro, em 13 de maio de 1881

Morreu no Rio de Janeiro, em 01 de novembro de 1922

Lima Barreto
Afonso Henriques de Lima Barreto, socialista e mulato, dedicou sua obra a desmascarar os poderosos. Atormentado pela pobreza e pela loucura do pai, tornou-se alcoólatra, depressivo e morreu na miséria. Autor do importante romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, foi precursor do Modernismo brasileiro.

Origem Humilde e Dificuldades

Filho de pais mestiços, um tipógrafo e uma professora primária. Fica órfão de mãe aos sete anos. Seu pai, funcionário da Imprensa Nacional, perde o cargo com o advento da Proclamação da República. Com seu pai, passa a morar na Ilha do Governador, sob a proteção do Visconde de Ouro Preto, onde seu pai assume o cargo de almoxarife.

Dificuldades nos Estudos

Com o auxílio do Visconde, também seu padrinho, consegue concluir o curso secundário e matricula-se na Escola Politécnica, em 1897, mas abandona os estudos em 1903, quando então seu pai, considerado louco, é internado em casa de desajustados mentais. Barreto, com dificuldades financeiras, dá preferência à seu emprego, um cargo modesto como funcionário da Secretaria da Guerra.

 
   
Jornalista Polêmico e Indignação Social

Passa a colaborar com jornais e dedica-se com afinco à literatura. Leitor voraz da literatura de ficção européia do século XIX, em especial os romacistas russos, familiariza-se com a melhor e mais apurada tradição realista e social da época. Em seus textos, aborda temas como o preconceito social contra mestiços pobres, a insensibilidade dos ricos, a corrupção política e a esterilidade dos artistas.

Importante e Extensa Obra

Apesar de sua morte precoce, aos 41 anos, deixou uma vasta obra entre romances, contos, crônicas, memórias e sátiras. Destre elas, destacamos: Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915), Numa e Ninfa (1915), Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá (1919), Histórias e Sonhos - contos (1920), Os Bruzugangas - sátira política (1923), Clara dos Anjos - póstuma (1948) e O Cemitério dos Vivos - póstuma (1953). Morreu miserável, de colapso cardíaco, aos 41 anos, em 1922, ano da explosão do Modernismo no Brasil, do qual foi seu maior precursor.



Pré-Modernismo


Trechos da Obra

 


Triste Fim de Policarpo Quaresma

I - A LIÇÃO DE VIOLÃO

Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por Major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde.
Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretá- rio, bongava pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.
Não gastava nesses passos nem mesmo uma hora, de forma que, às três e quarenta, por ai assim, tomava o bonde, sem erro de um minuto, ia pisar a soleira da porta de sua casa, numa rua afastada de São Januário, bem exatamente às quatro e quinze, como se fosse a aparição de um astro, um eclipse, enfim um fenômeno matematicamente determinado, previsto e predito.
A vizinhança já lhe conhecia os hábitos e tanto que, na casa do Capi- tão Cláudio, onde era costume jantar-se aí pelas quatro e meia, logo que o viam passar, a dona gritava à criada: "Alice, olha que são horas; o Major Quaresma já passou."

 


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