Obras do Autor
Romances
As Pupilas do Senhor Reitor (1866)
Uma Família Inglesa (1868)
A Morgadinha dos Canaviais (1868)
Serões da Província (1870)
Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871) - póstumo
Inéditos e Esparsos (1910) - póstumo
Poesias
Poesias (1873) - póstumo
Teatro
Teatro Inédito (1946) - póstumo
Dados do Autor
Nasceu na cidade do Porto, Portugal, em 1839
Morreu em 1871, aos 32 anos
Júlio Dinis
Joaquim Guilherme Gomes Coelho, médico e professor, exerceu a medicina até ficar tuberculoso, então muda-se para a Ilha da Madeira, adota o pseudônimo de Júlio Dinis e dedica-se à literatura. Em vida, publicou seus romances em folhetins. Sua obra mais conhecida é: As Pupilas do Senhor Reitor, que foi publicada originalmente em 1866.
Medicina e Ensino
Joaquim Guilherme Gomes Coelho forma-se em Medicina e passa e lecionar na Faculdade de Medicina da cidade do Porto. Abandona a profissão ao contrair tuberculose.
Tratamento, Exílio e o Nascimento de um Escritor
Passa a viver em Ovar e depois na Ilha da Madeira para tratar de sua grave doença. Dedica-se à literatura e adota o pseudônimo de Júlio Dinis. Publica seus romances em folhetins e, em 1866, publica sua maior obra As Pupilas do Senhor Reitor.
Elogios e Estilo Realista
Sua obra recebe os elogios da crítica portuguesa, entre os quais destacamos Alexandre Herculano. Seu estilo mostra características do Realismo, antecipando-se ao movimento que viria surgir. Seus romances caminham por ambientes burgueses e descrições psicológicas. Ainda em folhetins, publica Uma Família Inglesa, em 1868, A Morgadinha dos Canaviais, também em 1868 e Serões da Província, em 1870, sua última publicação em vida.
Obras Póstumas
Com sua morte precoce, aos 32 anos, parte de sua obra é publicada postumamente, entre as quais: Os Fidalgos da Casa Mourisca, em 1871, Poesias, em 1873, Inéditos e Esparsos, em 1910 e Teatro Inédito, em 1946.
Romantismo
Trechos da Obra
As Pupilas do Senhor Reitor
Capítulo I
José das Dornas era um lavrador abastado, sadio e de uma tão feliz disposição de gênio, que tudo levava a rir; mas desse rir natural, sincero e despreocupado, que lhe fazia bem, e não do rir dos Demócritos de todos os tempos - rir céptico, forçado, desconsolador, que é mil vezes pior do que o chorar.
Em negócio de lavoura, dava, como se costuma dizer, sota e ás ao mais pintado. Até o Sr. Morais Soares teria que aprender com ele. Apesar dos seus sessenta anos, desafiava em robustez e atividade qualquer rapaz de vinte. Era-lhe familiar o canto matinal do galo, e o amanhecer já não tinha para ele segredos não revelados. O sol encontrava-o sempre de pé, e em pé o deixava ao esconder-se.
Estas qualidades, juntas a uma longa experiência adquirida à custa de muito sol e muita chuva em campo descoberto, faziam dele um lavrador consumado, o que, diga-se a verdade, era confessado por todos, sem esforço de malquerenças e murmurações. Diz-se que quem mais faz menos merece e que mais vale quem Deus ajuda do que quem muito madruga, e não sei o que mais; será assim; mas desta vez parecia que se desmentira o ditado, ou pelo menos que o fato das madrugadas não excluíra o auxílio providencial, porque José das Dornas prosperava a olhos vistos. Ali por fins de agosto era um tal de entrar de carros de milho pelas portas do quinteiro dentro! S. Miguel mais farto poucos se gabavam de ter. Que abundância por aquela casa! Ninguém era pobre com ele; louvado Deus!
Página Inicial
|
Quem Somos
Copyright© 2005-2008 - MP-ATTUS INFORMÁTICA LTDA. Configurada para 800 x 600 ou 1024 x 768 - 16 bit color