Obras do Autor
Romances
Cinco Minutos (1856)
A Viuvinha (1857)
Lucíola (1862)
Diva (1864)
A Pata da Gazela (1870)
Sonhos D'Ouro (1872)
Senhora (1875)
Encarnação (1877)
As Minas de Prata (1862 a 1866)
A Guerra dos Mascates (1873 a 1874)
Alfarrábios
O Gaúcho (1870)
O Sertanejo (1875)
O Tronco do Ipê (1871)
Til (1872)
O Guarani (1857)
Iracema (1865)
Ubirajara (1874)
Teatro
A Noite de São João
Demônio Familiar
Verso e Reverso
As Asas de Um Anjo
Mãe
O Jesuíta
Dados do Autor
Nasceu em 1º de maio de 1829, em Macejana, Ceará'
Morreu em 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro, aos 48 anos
José de Alencar
José Martiniano de Alencar, O Pai do romance brasileiro. Poeta, romancista, dramaturgo, crítico, jornalista, político, ensaísta, orador parlamentar e consultor do Ministério da Justiça. À partir de um projeto de Descrição Global do Brasil, divide seus romances em quatro tipos: Urbanos, Regionalistas, Indianistas e Históricos. Eclético e incansável, é autor de várias obras-primas da literatura nacional como: Senhora, O Gaúcho, Iracema e O Guarani, entre tantos outros.
Mudança para a Corte Ainda Menino
José de Alencar, filho de um ex-padre e senador do Império, Dr. José Martiniano de Alencar e de dona Ana de Alencar. Aos 10 anos muda-se com a família para o Rio de Janeiro e passa a estudar no Colégio de Instrução Elementar.
Direito em São Paulo e Olinda e Início da Carreira Literária
Em 1845, ao 16 anos de idade, ingressa na Faculdade de Direito de São Paulo. Em Olina faria o 3º ano do curso. Em seu regresso ao Rio, estréia como escritor no Correio Mercantil, em 1854. As crônicas publicadas nesse período seriam agrupadas no livro Ao Correr da Pena.
Polêmica com Gonçalves Dias e O Guarani
Em 1856, cria polêmica com o poema de Gonçalves de Magalhães, Confederação dos Tamoios, que os críticos queriam rotular como A Grande Epopéia Brasileira. Para acabar com tal polêmica escreve e publica O Guarani, e este sim se torna o grande romance épico brasileiro.
Incursões na Política e Amizade com Machado de Assis
Além de seus romances e atuação como dramaturgo e advogado, ingressa na carreira política e elege-se várias vêzes deputado pelo estado do Ceará. Também exerceu o cargo de Ministro da justiça durante a Guerra do Paraguai. No entanto, não consegue se eleger Senador, abandonando a política. Torna-se amigo de Machado de Assis, que já despontava como grande escritor, ao lado de Alencar.
Primeiro Romance e Sucesso Imediato
Em 1856, quando publica, no formato de folhetins, o romance Cinco Minutos, recebe grande simpatia do público, até então acostumado apenas com romances europeus, especialmente os franceses.
Diversos Romances em Folhetins
Sempre seguindo o formato dos folhetins, segue escrevendo e publicando sua obras-primas como O Guarani, Lucíola, As Minas de Prata, Diva, Iracema, O Gaúcho, entre outros.
O Projeto de Descrição Global do Brasil
Conforme prefaciou em seu livro Sonhos D'Ouro, de 1872, nessa época inicia seu projeto de Descrever o País Globalmente, através de seus livros. Entre outros grandes romances dessa época podemos destacar: A Guerra dos Mascates, Ubirajara, Senhora, O Sertanejo e seu último romance Encarnação, de 1877.
Caminho Aberto Para o Romance Brasileiro
Mais uma vítima da tuberculose, Alencar tenta tratamento na Europa sem sucesso e morre no Rio de Janeiro, em 1877, aos 48 anos. Sua vasta e diversificada obra abre caminho para o Romance no país e incentiva o surgimento de novos autores, dentre eles: Machado de Assis, Raul Pompéia e Aluísio Azevedo. Machado o considerava como maior escritor brasileiro, foi seu amigo e admirador, mas logo o destronaria do posto de maior romancista.
Romantismo
Trechos da Obra
O GUARANI
PRIMEIRA PARTE
OS AVENTUREIROS
I CENÁRIO
De um dos cabeços da Serra dos Órgãos desliza um fio de água que se dirige para o norte, e engrossado com os mananciais que recebe no seu curso de dez léguas, torna-se rio caudal.
É o Paquequer: saltando de cascata em cascata, enroscando-se como uma serpente, vai depois se espreguiçar na várzea e embeber no Paraíba, que rola majestosamente em seu vasto leito.
Dir-se-ia que, vassalo e tributário desse rei das águas, o pequeno rio, altivo e sobranceiro contra os rochedos, curva-se humildemente aos pés do suserano. Perde então a beleza selvática; suas ondas são calmas e serenas como as de um lago, e não se revoltam contra os barcos e as canoas que resvalam sobre elas: escravo submisso, sofre o látego do senhor.
Não é neste lugar que ele deve ser visto; sim três ou quatro léguas acima de sua foz, onde é livre ainda, como o filho indômito desta pátria da liberdade.
Aí, o Paquequer lança-se rápido sobre o seu leito, e atravessa as florestas como o tapir, espumando, deixando o pêlo esparso pelas pontas do rochedo, e enchendo a solidão com o estampido de sua carreira. De repente, falta-lhe o espaço, foge-lhe a terra; o soberbo rio recua um momento para concentrar as suas forças, e precipita-se de um só arremesso, como o tigre sobre a presa.
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