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Obras do Autor
Poesias
Mármores (1895)
Esfinges (1903)
Poesias (1961) - póstuma
Livro da Infância (1899)
Alma Infantil (1912)

Dados do Autor
Nasceu em Eldorado (SP) a 31 de agosto de 1871

Faleceu em São Paulo (SP) a 1 de novembro de 1920, aos 49 anos.

Créditos

Texto Biográfico elaborado por Roberto Fortes, que também é autor do livro Francisca Júlia - A "Musa Impassível".

Francisca Júlia
Francisca Júlia, considerada a maior poetisa da língua portuguesa em seu tempo, foi a mais fiel representante do Parnasianismo no Brasil, a única que conseguiu atingir o respeito à forma e a impassibilidade exigidos pelo movimento: a arte pela arte. Criadora de versos perfeitos, sua obra, parnasiana no início da carreira, ao final da vida volta-se à poesia simbólica e mística. Seus sonetos estão entre os mais perfeitos da língua portuguesa.

A vida simples em Xiririca: infância calma e amor à língua portuguesa

Francisca Júlia da Silva nasceu na antiga Vila de Xiririca, hoje Eldorado, no Vale do Ribeira, Estado de São Paulo. Sua infância foi calma e povoada pelos folguedos infantis. Aprendeu as primeiras letras e os serviços do lar com a mãe, a professora Cecília Isabel da Silva. Do pai, Miguel Luso da Silva, advogado provisionado, herdou o amor aos livros e à língua portuguesa.

"Mármores", o livro de estréia: a consagração. O título de seu mais famoso soneto, "Musa Impassível"

Seu primeiro livro de poesias foi publicado em 1895, custeado pelo editor Horácio Belfort Sabino. Foi um sucesso imediato. Todos os grandes poetas e críticos da época reconheceram em Francisca Júlia uma extraordinária poetisa, principalmente pelo respeito à língua portuguesa e fidelidade à escola parnasiana. Essa aura de celebridade acompanhou-a até o ano de sua morte, em 1920. Era considerada, na época, por alguns críticos, como a maior poetisa da língua portuguesa. Seu mais famoso soneto, Musa Impassível, onde está representado todo o rigor e impassibilidade exigidos pelo Parnasianismo, transformou-se no título pelo qual Francisca Júlia ficou conhecida.
"Esfinges": outro grande sucesso

Em 1903, aparece Esfinges, onde Francisca Júlia republicou grande parte dos sonetos de Mármores, incluindo outros inéditos. Novamente, a crítica lhe foi consagradora. Esfinges teve uma segunda edição em 1921, pela editora de Monteiro Lobato, com a adição de poesias inéditas e de uma fortuna crítica sobre a poetisa.
O farmacêutico "louco" ou o intelectual famoso, que lhe devolveu as cartas de amor dentro de uma cai

Quando morava em Cabreúva (SP), Francisca Júlia enamorou-se de um jovem farmacêutico, formado no Rio. Mas, certa vez, a poetisa ouviu uma conversa no portão segundo a qual o seu amado não era muito certo das idéias. Ela ficou receosa; interrogou o amado, mas ele garantiu-lhe que tinha suas faculdades mentais em plena ordem. Não convencida, Francisca Júlia resolveu preterir esse que teria sido o seu primeiro amor. Também conta-se que ela teria se enamorado de um famoso intelectual; mas o romance não deu certo, ele casou-se no Rio e devolveu as cartas de amor escritas pela poetisa dentro de uma caixa de sapatos. Há dúvidas se o farmacêutico e o intelectual fossem duas pessoas distintas, ou se, na verdade, tratava-se da mesma pessoa.

 
   
Com o casamento, em 1909, afasta-se por alguns anos da atividade poética. Retorna em 1915, colaboran

Em 1909, Francisca Júlia casa-se com o telegrafista Filadelfo Edmundo Munster, da Central do Brasil, natural de Barra Mansa (RJ). Apesar da grande diferença intelectual, Francisca Júlia amava com devoção o seu esposo e viveram um casamento amoroso e feliz. Durante alguns anos, dedicou-se exclusivamente ao lar, retornando às rodas literárias somente em 1915, quando começou a publicar alguns sonetos na revista A Cigarra, de São Paulo. Nessa época, pensava em escrever uma série de sonetos inspirados na moral de Pitágoras, a cujo livro daria o nome de Versos Áureos. Apesar de ter escrito alguns sonetos, não chegou a concretizar esse projeto.

A morte do marido tuberculoso. Francisca Júlia ingere dose de narcóticos e, no dia seguinte, falece,

Em 1920, Filadelfo Edmundo Munster contrai tuberculose, vindo a falecer no dia 31 de outubro. Desolada com a perda do seu grande amor, Francisca Júlia retira-se aos seus aposentos e jura que jamais "poria véu de viúva". Teria ingerido boa dose de narcóticos. No dia seguinte, durante o velório de seu esposo, ao abraçar o ataúde, no auge do desespero e da dor, a inconsolável poetisa vem a falecer. Era o dia 1 de novembro de 1920. Seu corpo foi enterrado, no dia seguinte, no Cemitério do Araçá, em São Paulo. Sobre a sua campa, alguns anos depois, foi construído um belo mausoléu, com a estátua da "Musa Impassível", obra magistral do cinzel de Victor Brecheret.
Colaboração em jornais e revistas

Estreou em O Estado de S. Paulo, em 1891, aos 20 anos, onde publicou sonetos até 1892. Em A Semana, do Rio de Janeiro, dirigida por Valentim Magalhães, publicou trabalhos de 1893 a 1895. Publicou poesias no Correio Paulistano, de 1892 a 1895. Em 1893, publicou sonetos no O Álbum, de Arthur de Azevedo. Na A Cigarra, entre 1915 e 1922, foram publicados seus últimos sonetos, que deveriam ser reunidos no livro Versos Áureos, que não chegou a terminar. Teve trabalhos publicados em Revista Literária (1895), Diário Popular (1896), Revista da Semana (1904), Cosmos (1905), O Piralho (1913), A Época (1916), Revista do Brasil , A Vida Moderna (1920), Comércio de Campinas (1920), entre outros.

Péricles Eugênio da Silva Ramos, o seu maior crítico

Em 1961, o consagrado crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, considerado o maior estudioso da obra da poetisa, fez a reunião das suas poesias, incluindo muitas inéditas, publicando o livro Francisca Júlia - Poesias, pela Comissão de Cultura do Estado de S. Paulo, onde apresentou a obra completa da grande poetisa brasileira, separada por tema, além de uma longa biografia e notas introdutórias.
Francisca Júlia, a "Musa Impassível": rica obra poética que precisa ser redescoberta e divulgada

Francisca Júlia está a merecer a sua reinclusão entre as grandes poetisas da língua portuguesa, como Florbela Espanca e Cecília Meireles. Desde a sua morte, em 1920, fez-se um inexplicado silêncio sobre a autora, colocando-a no limbo da literatura de nosso país. Estudiosos e críticos deveriam redescobrir e divulgar a sua rica obra poética, que em nada fica a dever aos grandes mestres da nossa língua!



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