Obras do Autor
Romances
Luzia-Homem (1903)
O Almirante
Urapuru (inacabado)
Dados do Autor
Nasceu em 18 de setembro de 1850, em Sobral, Ceará
Morreu em 6 e outubro de 1906, no Rio de Janeiro, aos 56 anos
Domingos Olímpio
Domingos Olímpio Braga Cavalcanti, escritor, advogado e jornalista. Seu romance naturalista Luzia-Homem, publicado em 1903, é considerado um clássico do gênero Ciclo das Secas, da Literatura Nordestina. Tambem escreveu várias peças teatrais e é considerado um dos precursores do moderno romance brasileiro.
Autêntica Literatura Nordestina
Domingos Olímpio, precursor do moderno romance regionalista brasileiro, cria a personagem Luzia-Homem, protagonista que confere título à sua mais conhecida obra e que reúne qualidades físicas de homem e a beleza plástica de mulher. No romance, Luzia integra um grupo de retirantes, e sua figura forte e personalidade marcante logo atrai a atenção dos homens que disputam o amor da heroína. Considerado um clássico da Litaratura Nordestina, enquadrado no gênero Ciclo das Secas.
Jornalismo, Teatro e Romances
Escreve várias peças teatrais e segue a carreira jornalística. Funda e dirige a revista Os Anais, onde publica, na forma de folhetim o romance O Almirante. Deixa um romance incompleto: Urapuru.
Realismo e Naturalismo
Trechos da Obra
Luzia-Homem
I
O morro do Curral do Açougue emergia em suave declive da campina ondulada. Escorchado, indigente de arvoredo, o cômoro enegrecido pelo sangue de reses sem conto, deixara de ser o sítio sinistro do matadouro e a pousada predileta de bandos de urubus-tingas e camirangas vorazes.
Bateram-se os vastos currais, de grossos esteios de aroeira, fincados a pique, rijos como barras de ferro, currais seculares, obra ciclópica, da qual restava apenas, como lúgubre vestígio, o moirão ligeiramente inclinado, adelgaçado no centro, polido pelo contínuo atrito das cordas de laçar as vítimas, que a ele eram arrastadas aos empuxões, bufando, resistindo, ou entregando, resignadas e mansas, o pescoço à faca do magarefe. Ali, no sítio de morte, fervilhavam, então, em ruidosa diligência, legiões de operários construindo a penitenciária de Sobral.
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