Obras do Autor
Poesias
Espumas Flutuantes (1870)
Os Escravos (1883) - póstumo
A Cachoeira de Paulo Afonso - póstumo
Hinos do Equador - póstumo
O Navio Negreiro (Os Escravos, 1883)
Teatro
Gonzaga ou A Revolução de Minas (1866)
Dados do Autor
Nasceu em 14 de março de 1847, na fazenda Cabaceiras, em Curralinho, Bahia, hoje Castro Alves
Morreu em 6 de julho de 1871, em Salvador, Bahia, aos 24 anos, por causa da tuberculose
Castro Alves
Antônio Frederico de Castro Alves, considerado o poeta dos escravos. Poeta, dramaturgo e orador. Dedica-se à temas sociais, em especial a Abolição da Escravatura. Autor de obras importantes como Espumas Flutuantes e poemas como Navio Negreiro e Vozes d'África, foi o mais popular poeta do Romantismo e represetante principal do Condoreirismo, que caracterizava-se pela retórica e temas sociais.
Infância no Sertão e Mudança para a Capital
Castro Alves vive seus primeiros anos da infância no sertão baiano. Sua família muda-se para Salvador, em 1852. Cursa Humanidaddes no ginásio baiano e em 1862 o poeta muda-se para Recife, então com 15 anos, com intenções de ingressar na Faculdade de Direito.
Idéias Liberais e Primeiros Versos
Passa a conviver com jovens acadêmicos, entusiastas de idéias liberais e abolicionistas. Não consegue ingressar na Faculdade de Direito e dedica o ano de 1863 aos estudos de geometria, matéria que o havia reprovado. Também nesse ano cria seus primeiros versos abolicionistas, que logo começam a ser publicados. O primeiro deles é A Canção do Africano, que sai publicado no jornal acadêmico A Primavera.
Primeiro Sucesso e Sinais de Tuberculose
Em 1864 ingressa finalmente na Faculdade de Direito do Recife. Começa a apresentar os primeiros sinais de tuberculose. Destaca-se na faculdade recitando seus poemas em comícios estudantis e teatros. Dedica-se pouco aos estudos. No aniversário dos cursos jurídicos, em 11 de agosto de 1865, recebe aclamação do público, no salão de honra da faculdade, ao recitar o poema O Século. No mesmo ano inicia a preparação do livro Os Escravos.
Amores e Parceria com o Abolicionista Rui Barbosa
Em 1866, ao lado de Rui Barbosa e outros colegas, fundam uma sociedade abolicionista e lançam o jornal de idéias A Luz. Conhece Eugênia Câmara, o grande amor de sua vida, e passa a viver com ela na periferia da cidade. Inspirado na amante, compõe o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas. No ano seguinte a peça é encenada com sucesso em Salvador, onde também passam a morar.
Encontro com Famosos e Elogio Público de José de Alencar
Em fevereiro de 1868, embarca para o sul do país, na intenção de terminar o curso de Direito em São Paulo. Em sua passagem pelo Rio de Janeiro, conhece pessoalmente José de Alencar e Machado de Assis que ficam impressionados com suas poesias. Alencar o elogia publicamente nas páginas do jornal Correio Mercantil.
Sucesso em São Paulo, Decepção Amorosa e Acidente com Tiro
É tratado como ídolo em São Paulo. Passa a escrever poemas frenéticamente e cria os clássicos Vozes D'África e Navio Negreiro. Sua peça Gonzaga, é representada com grande sucesso e tem Joaquim Augusto como ator principal. Brigas enciumadas com Eugênia levam-nos ao rompimento. Deprimido, deixa as letras momentaneamente e dedica-se à passeios e caças. Numa dessas caçadas, no atual bairro do Brás, seu pé esquerdo é atingido acidentalmente por um tiro. O ferimento, agravado pela tuberculose, infecciona o que obriga a amputaram-lhe o pé, em junho de 1869, no Rio de Janeiro. Vive uma fase de difícil convalescença.
Retorno à Bahia, Primeiro Livro e Morte
Retorna à Bahia em novembro de 1869 e é recebido e amparado por amigos e parentes. Em sua viagem de navio de retorno à Bahia, contemplando as ondas geradas pelo navio no mar, concretiza a idéia de agrupar seus poemas no livro Espumas Flutuantes. A conselho médico muda-se em fevereiro de 1870 para Curralinho, no sertão baiano. Na fazenda Santa Isabel, no Rosário do Orobó, termina o poema A Cachoeira de Paulo Afonso e em outubro de 1870 o livro Espumas Flutuantes é lançado. Ao lado de uma janela banhada de sol, seu último desejo, morre Castro Alves, aos 24 anos, em 6 de julho de 1871, vítima da tuberculose.
Romantismo
Trechos da Obra
O Navio Negreiro
I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo - o mar em cima - o firmamento...
E no mar e no céu - a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra - é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
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