Obras do Autor
Romances
Anátema (1851)
Onde está a Felicidade? (1856)
Romance de Um Homem Rico (1861)
Amor de Perdição (1862)
Coração, Cabeça e Estômago (1862)
Amor de Salvação (1864)
A queda Dum Anjo (1866)
Eusébio Macário (1879)
A Brasileira de Prazins (1882)
Dados do Autor
Nasceu em 16 de marçoo de 1825, em Lisboa
Suicidou-se em 1 de junho de 1890, aos 65 anos
Camilo Castelo Branco
Poeta, romancista, tradutor, crítico literário, além de boêmio e personagem de várias aventuras passionais, Camilo Castelo Branco foi o mais romântico do Romantismo Português. Deixou vasta e diversificada obra e, já cego e atormentado, suicidou-se com um tiro de pistola, aos 65 anos. O romance que o tornou popular foi Amor de Perdição, publicado em 1862.
Infância Órfã e Casamento Precoce
Sua mãe, Jacinta Rosa do Espírito Santo, morre quando Camilo ainda tem 2 anos. Seu pai, Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco morre oito anos mais tarde. Passa a viver com sua tia Rita Emília, depois retratada em seu romance Amor de Perdição. Envolto desde jovem em casos passionais, casa-se pela primeira vez, aos 16 anos, com Joaquina Pereira, de 15 anos, e logo depois a abandona.
Medicina, Boemia e Prisão
Vai viver na cidade do Porto onde ingressa na Faculdade de Medicina. Não conclui o curso, trocando as salas de aula por noitadas boêmias e bailes. É reprovado por faltas. Em Trás-os-Montes envolve-se com Patrícia Emília, sua prima, e foge para a cidade do Porto. É acusado de adultério e preso. Após a morte de sua primeira mulher, Joaquina, passa a viver maritalmente com sua prima Patrícia, mas também a abandona quando esta engravida.
Grande Amor de Sua Vida, Decepção e Primeira Obra
Em 1850 conhece Ana Plácido, o grande amor de sua vida, mas esta se casa por arranjo familiar com Manuel Pinheiro Alves. Angustiado e deprimido entra para o seminário, mas logo envolve-se amorosamente com uma freira e causa novo escândalo. Em 1851 publica sua primeira novela, Anátema.
Reencontro de Ana Plácido e Nova Prisão
Em 1858 reencontra Ana Plácido, então com um filho e alguns meses depois passam a viver juntos. São presos dois anos depois, acusados de adultério. Camilo fica na prisão um ano e quinze dias e de trás das grades surge seu grande romance Amor de Perdição. Em 1861, o casal é absolvido nos tribunais.
Filhos Delinquentes
Em 1863 nasce seu filho Jorge, que se tornará alcóolatra e incendiário. Em 1864 nasce Nuno, que estará sempre envolvido em escândalos, assim como o pai. Em 1883, precisando de dinheiro, leiloa sua biblioteca, mas dois anos depois recebe o título de Conde e uma pensão. Casa-se oficoalmente com Ana Plácido em 1888, pois ela quer também o título de viscondessa.
Cegueira, Tormento e Suicídio
Fica cego em consequência de uma sífilis contraída e mal curada na juventude. Está impedido de escrever. Suicida-se em 1º de junho de 1890, com um tiro de pistola no ouvido. O jornal O Século publica a seguinte nota: "Morreu o ilustre romancista Camilo Castelo Branco. Sabe-se a tortura contínua em que vivia por causa de seus padecimentos. Hoje, pelas seis horas da tarde, num momento de desespero, desfechou um tiro no ouvido, sobrevivendo apenas poucas horas ao ferimento. A notícia espalhada aqui, rapidamente, tem produzido geral consternação".
Romantismo
Trechos da Obra
Amor de Perdição
Camilo Castelo Branco
I
Domingos José Correia Botelho de Mesquita e Meneses, fidalgo de linhagem e um dos mais antigos solarengos de Vila-Real de Trás-os-Montes, era em 1779, juiz de fora de Cascais, e nesse mesmo ano casara com uma dama do paço, D.Rita Teresa Margarida Preciosa da Veiga Caldeirão Castelo Branco, filha dum capitão de cavalos, neta de outro Antônio de Azevedo Castelo Branco Pereira da Silva, tem notável por sua jerarquia, como por um, naquele tempo, precioso livro acerca da Arte de Guerra.
Dez anos de enamorado, mal sucedido, consumira em Lisboa o bacharel provinciano. Para fazer-se amar da formosa dama de D.Maria I minguavam-lhe dotes físicos: Domingos Botelho era extremamente feio. Para se inculcar como partido conveniente a uma filha segunda, faltavam-lhe bens de fortuna: os haveres dele não excediam a trinta mil cruzados em propriedades no Douro. Os dotes de espírito não o recomendavam também: era alcançadíssimo de inteligência, e granjeara entre os seus condiscípulos da Universidade o epíteto de "brocas", com que ainda hoje os seus descendentes em Vila-Real são conhecidos. Bem ou mal derivado, o epíteto Brocas vem de broa. Entenderam os acadêmicos que a rudeza do seu condiscípulo procedia de muito pão de milho que ele digeria na sua terra...
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