Obras do Autor
Romances
O Ermitão do Muquém (1864)
Lendas e Romances (1871)
O Garimpeiro (1872)
O Seminarista (1872)
O Índio Afonso (1873)
A Escrava Isaura (1875)
Maurício (1877)
A Ilha Maldita (1879)
O Pão de Ouro (1879)
Rosaura, a Enjeitada (1883)
O Bandido do Rio das Mortes (1905) - póstumo
Poesias
A Orgia dos Duendes
Cantos da Solidão (1852)
Poesias (1865)
Novas Poesias (1876)
Fôlhas de Outono
O Elixir do Pajé
Dados do Autor
nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais,em 15 de agosto de 1825
morreu na mesma cidade, em 10 de março de 1884, aos 58 anos
Bernardo Guimarães
Bernardo Joaquim da Silva Guimarães, escritor sertanista, foi jornalista, contista e poeta. De espírito boêmio, ganhou fama por seus ditos humorísticos e por suas artimanhas com que ludibriava os amigos. Formou-se em Direito e chegou a exercer o cargo de Juiz numa cidade de Goiás. Depois dedicou-se ao magistério, lecionando em Ouro Preto. Bernardo Guimarães se populariza com o romance A Escrava Isaura, de 1875, quando também fica compravado o caráter abolicionista do autor.
De Ouro Preto para São Paulo
Realiza seus primeiros estudos em Ouro Preto (MG) e, posteriormente, segue para São Paulo, onde gradua-se em direito.
Um Juiz Liberal em Curta Carreira
Exerce a magistratura na cidade de Catalão (GO). Porém, pouco tempo se mantém no cargo, pois delibera, em certo momento, em absolver e dar liberdade a todos os presos da cidade. Isso custa-lhe o cargo e a saída da cidade.
Incursões no Jornalismo e Ingresso no Magistério
No Rio de Janeiro, faz incursões no jornalismo. Em seguida, retorna a Ouro Preto, onde torna-se professor de retórica e poética no Liceu Mineiro, e de latim e francês em Queluz.
Um Escritor Regionalista e Sertanista
É o responsável pela introdução do regionalismo e do sertanismo na ficção brasileira. Sua obra poética revela traços do ultra-romantismo à maneira de Álvares de Azevedo, que foi seu contemporâneo e amigo na Faculdade de Direito. O obra de Bernardo Guimarães nos mostra uma narrativa pormenorizada e rica em detalhes que retratam a intensidade dos costumes, a vida social do sertanejo, além de também nos mostar aspectos e formas da natureza rural.
Romantismo
Trechos da Obra
A Escrava Isaura
Bernardo Guimarães
Capítulo 1
Era nos primeiros anos do reinado do Sr. D. Pedro II. No fértil e opulento município de Campos de Goitacases, à margem do Paraíba, a pouca distância da vila de Campos, havia uma linda e magnífica fazenda.
Era um edifício de harmoniosas proporções, vasto e luxuoso, situado em aprazível vargedo ao sopé de elevadas colinas cobertas de mata em parte devastada pelo machado do lavrador. Longe em derredor a natureza ostentava-se ainda em toda a sua primitiva e selvática rudeza; mas por perto, em torno da deliciosa vivenda, a mão do homem tinha convertido a bronca selva, que cobria o solo, em jardins e pomares deleitosos, em gramais e pingues pastagens, sombreadas aqui e acolá por gameleiras gigantescas, perobas, cedros e copaíbas, que atestavam o vigor da antiga floresta. Quase não se via aí muro, cerca, nem valado; jardim, horta, pomar, pastagens, e plantios circunvizinhos eram divididos por viçosas e verdejantes sebes de bambus, piteiras, espinheiros e gravatás, que davam ao todo o aspecto do mais aprazível e delicioso vergel...
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